Medalhão de Menorá de 1.300 Anos Encontrado em Jerusalém

Dez 2025
Tempo de estudo | 19 minutos
Atualizado em 12/01/2026
Atualidades
Medalhão de Menorá de 1.300 Anos Encontrado em Jerusalém

Uma descoberta arqueológica rara está reacendendo debates sobre a presença judaica em Jerusalém durante períodos de proibição imperial. Um medalhão de chumbo com 1.300 anos, decorado com a imagem de uma menorá de sete braços, foi encontrado próximo ao Monte do Templo, oferecendo evidências tangíveis de que os judeus nunca abandonaram completamente sua cidade sagrada, mesmo quando eram legalmente proibidos de entrar nela.

O achado, anunciado pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pela Fundação Cidade de Davi, representa o primeiro medalhão de menorá em chumbo descoberto em escavações científicas controladas. A descoberta ocorreu durante trabalhos no Parque Arqueológico Davidson, localizado no canto sudoeste do Monte do Templo, em uma estrutura do período bizantino tardio que já era conhecida como "Casa da Menorá" devido às três menorás gravadas em suas paredes.

O Momento da Descoberta

Ayayu Belete, membro da equipe da Cidade de Davi, relatou o momento emocionante em que encontrou o artefato: "Um dia, enquanto escavava dentro de uma estrutura antiga, de repente vi algo diferente - cinza - entre as pedras. Peguei o objeto e vi que era um medalhão com uma menorá. Imediatamente mostrei a descoberta para Esther Rakow-Mellet, a diretora da área, e ela disse que era um achado especialmente raro. Fiquei profundamente emocionado e animado!"

A área de escavação no canto sudoeste do Monte do Templo, onde o pingente foi encontrado.

O medalhão é feito de quase 100% de chumbo e apresenta imagens idênticas de uma menorá de sete braços em ambos os lados, embora um dos lados esteja significativamente danificado pelo desgaste do tempo. Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, o artefato é "uma descoberta excepcionalmente rara". Embora outros medalhões de menorá feitos de diferentes materiais já tenham sido encontrados, apenas um outro exemplar em chumbo era conhecido anteriormente - e esse está no Museu Walters de Baltimore, Maryland, com origem desconhecida.

Jerusalém no Período Bizantino

Para compreender plenamente o significado desta descoberta, é essencial entender o contexto histórico do período bizantino em Jerusalém. Após a destruição do Segundo Templo pelos romanos em 70 d.C., as autoridades imperiais implementaram políticas cada vez mais restritivas contra a presença judaica na cidade santa.

Durante o governo bizantino (que se consolidou após o século IV d.C.), as restrições se intensificaram. Os imperadores cristãos emitiam editos proibindo judeus de residir ou mesmo entrar em Jerusalém, transformando a cidade em um centro predominantemente cristão. Essas proibições, no entanto, não eram absolutamente eficazes, como demonstram achados arqueológicos recentes.

Houve um breve período de esperança quando os persas conquistaram Jerusalém no início do século VII. Alguns judeus, que haviam auxiliado no cerco persa, foram inicialmente permitidos a retornar. Esse momento gerou expectativas de reconstrução do Templo, mas a permissão foi rapidamente revogada pelos conquistadores.

A Menorá como Símbolo de Continuidade Nacional

Segundo o Dr. Yuval Baruch, diretor da escavação, o medalhão teria sido usado como um amuleto pessoal e não como uma peça ornamental de joalheria, devido à sua natureza simples. O chumbo era "um material comum e particularmente popular para fazer amuletos naquela época", explicou ele.

As representações de menorás são bastante comuns na Israel da era bizantina. De acordo com Dr. Baruch, a menorá tornou-se um "símbolo de memória nacional" durante este período, quando o Templo havia sido destruído há muito tempo. Ela expressava a "expectativa de renascimento nacional entre as comunidades judaicas na terra de Israel".

A menorá, o candelabro de sete braços que originalmente iluminava o Tabernáculo e depois o Templo de Jerusalém, transformou-se em um dos símbolos mais poderosos da identidade judaica. Sua imagem não apenas recordava o esplendor do Templo perdido, mas representava a esperança de restauração futura e a continuidade ininterrupta do povo judeu com sua terra e fé ancestrais.

Significado Arqueológico e Religioso

O que torna este medalhão especialmente fascinante é que ele foi encontrado em um período quando judeus eram raramente permitidos a entrar em sua cidade santa. Começando com os romanos e continuando no período bizantino, regulamentações imperiais tentavam manter os judeus afastados de Jerusalém. Quando os persas conquistaram a cidade, eles brevemente permitiram o retorno judaico - alguns judeus haviam até ajudado no cerco - mas mudaram de ideia pouco tempo depois.

Isso não impediu os judeus de encontrar maneiras de entrar, no entanto. Baruch afirma que o achado "atesta que durante períodos quando editos imperiais foram emitidos proibindo judeus de residir na cidade, eles não pararam de ir até lá!"

Esta descoberta complementa outros achados significativos da região. Há mais de uma década, as escavações da falecida Dra. Eilat Mazar no Ofel revelaram um medalhão dourado com uma menorá de sete braços, junto com um tesouro de moedas de ouro e outros objetos. Também foi encontrado em uma estrutura do período bizantino, provavelmente escondido por judeus em Jerusalém pouco antes da invasão persa.

Mazar chamou aquele achado de "único na vida". Ele mostrou que, mesmo antes dos persas, alguns judeus ainda estavam presentes em Jerusalém. Segundo Mazar, o medalhão poderia ter sido parte de um tesouro trazido por judeus proeminentes para o serviço do Templo que esperavam reconstruir sob os persas - sem sucesso.

A Menorá na Tradição Bíblica

A origem da menorá remonta ao próprio Deus, que deu instruções detalhadas a Moisés sobre sua construção. Em Êxodo 25:31-40, encontramos as especificações divinas para o candelabro que iluminaria o Tabernáculo:

"Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pé, as suas hastes, as suas copas, as suas maçãs e as suas flores formarão uma só peça. Seis hastes sairão dos seus lados: três hastes do candelabro de um lado e três hastes do candelabro do outro lado" (Êxodo 25:31-32).

A menorá não era apenas um objeto funcional para iluminação. Ela carregava profundo simbolismo espiritual. Os sete braços podem representar os sete dias da criação, com o braço central simbolizando o sábado. O ouro puro de sua composição refletia a santidade e a presença divina. O azeite que a alimentava precisava ser puro, representando a pureza necessária na adoração a Deus.

Quando o Segundo Templo foi destruído pelos romanos em 70 d.C., a menorá dourada original foi levada como despojo de guerra. O Arco de Tito em Roma ainda exibe um relevo mostrando soldados romanos carregando a menorá em triunfo. Essa imagem gravada na pedra tornou-se um símbolo doloroso do exílio judaico, mas também da resiliência de um povo que nunca esqueceu sua herança.

Conexões com Outros Achados Arqueológicos

Medalhão de Menorá descoberto ao pé do Monte do Templo na escavação de Ofel realizada pela Dra. Eilat Mazar em 2013.

Esta descoberta em Jerusalém faz parte de um padrão mais amplo de evidências arqueológicas que confirmam a presença judaica contínua na Terra de Israel, mesmo durante períodos de opressão. As escavações na Cidade de Davi têm revelado constantemente artefatos que documentam a vida judaica através dos séculos, desde o período do Primeiro Templo até a era bizantina e além.

Em outros locais da antiga Jerusalém, arqueólogos encontraram selos, moedas, inscrições e objetos rituais que testemunham a persistência da comunidade judaica. Sinagogas bizantinas descobertas em várias partes de Israel também confirmam que, apesar das proibições imperiais, comunidades judaicas organizadas continuaram a existir e praticar sua fé.

A descoberta de múltiplas representações de menorás em estruturas bizantinas sugere que este símbolo tinha se tornado central para a identidade judaica da época. Diferentemente do Templo físico que havia sido destruído, a imagem da menorá podia ser portada, gravada em paredes, impressa em selos e usada como amuleto pessoal - uma forma portátil de manter viva a memória e a esperança.

O Significado dos Amuletos no Mundo Antigo

No contexto do mundo antigo, amuletos não eram meras decorações. Eles carregavam significado religioso e protetor profundo. O uso do chumbo para confeccionar amuletos era comum porque o material era acessível e relativamente fácil de moldar, permitindo que até pessoas de recursos modestos possuíssem objetos simbólicos importantes.

Para o judeu que portava este medalhão específico, ele representava muito mais que um simples amuleto. Era uma declaração de identidade em tempos difíceis, uma conexão tangível com a herança do Templo, e possivelmente uma proteção espiritual em uma cidade onde sua presença era frequentemente proibida. Usar este símbolo tão distintivamente judaico em Jerusalém durante o período bizantino era um ato de coragem e fé.

A Importância de Hanukkah e a Apresentação do Achado

Não é coincidência que este raro medalhão tenha sido apresentado ao público pela primeira vez durante Hanukkah, a festa judaica das luzes. Hanukkah comemora a rededicação do Segundo Templo após a revolta dos Macabeus contra o Império Selêucida no século II a.C., quando, segundo a tradição, uma pequena quantidade de azeite puro miraculosamente manteve a menorá do Templo acesa por oito dias.

A conexão entre a menorá e Hanukkah é intrínseca. Durante esta festividade, os judeus acendem a hanukkiah, um candelabro de nove braços (oito para os dias do milagre, mais o shamash, a vela auxiliar). Este ritual mantém viva a memória tanto do milagre do azeite quanto da menorá original do Templo.

O rabino Amichai Eliyahu, ministro israelense do Patrimônio, comentou que descobertas como estas "contam a história da continuidade e devoção do povo judeu na cidade. Mesmo durante períodos em que judeus eram proibidos de entrar em Jerusalém, a conexão com este lugar sagrado não cessou".

A apresentação durante a Semana do Patrimônio no Campus Nacional Jay e Jeanie Schottenstein para a Arqueologia de Israel em Jerusalém simboliza como achados do passado continuam a informar e inspirar o presente.

Jerusalém A Cidade que Nunca Foi Abandonada

Esta descoberta arqueológica desafia narrativas simplistas sobre a história de Jerusalém. Frequentemente, a história é contada como se, após a destruição do Templo e as subsequentes expulsões, Jerusalém tivesse se tornado uma cidade completamente não-judaica por longos períodos. No entanto, evidências arqueológicas como este medalhão pintam um quadro mais complexo e resiliente.

Os judeus encontravam maneiras de manter sua conexão com Jerusalém, mesmo quando isso significava violar decretos imperiais. Eles arriscavam punições severas para visitar o Monte do Templo, orar no Muro das Lamentações (o único remanescente visível do Segundo Templo), e manter uma presença, por menor que fosse, na cidade que Davi havia estabelecido como capital há três mil anos.

Essa persistência não era apenas sentimental. Era profundamente enraizada na teologia e identidade judaicas. Jerusalém não é apenas uma cidade na tradição judaica - é o coração espiritual do povo, o local do Templo onde a presença divina habitava, e o centro das esperanças messiânicas de redenção futura. Os Salmos expressam esse amor inabalável: "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria" (Salmo 137:5-6).

Implicações para a Compreensão da História Bíblica

Achados como este medalhão têm implicações significativas para nosso entendimento da continuidade histórica entre o mundo bíblico e períodos posteriores. Eles demonstram que os símbolos e práticas descritos nas Escrituras não desapareceram com a destruição do Templo, mas foram adaptados e preservados através das gerações.

A menorá do Tabernáculo e do Templo, descrita em detalhes meticulosos no livro de Êxodo, continuou a inspirar e definir a identidade judaica mais de mil anos depois. Este é um testemunho poderoso da influência duradoura das Escrituras na vida e cultura do povo de Israel.

Para estudiosos da Bíblia, achados arqueológicos como este oferecem uma ponte tangível entre o texto sagrado e a realidade histórica vivida. Eles nos lembram que as narrativas bíblicas não são meras histórias abstratas, mas eventos que moldaram civilizações reais e continuaram a influenciar gerações por milênios.

O Trabalho Contínuo de Arqueologia Bíblica

As escavações na Cidade de Davi e ao redor do Monte do Templo representam alguns dos projetos arqueológicos mais importantes do mundo. Cada temporada de escavação traz novas descobertas que iluminam nossa compreensão da Jerusalém antiga e do mundo bíblico.

O Instituto Armstrong, que relatou este achado, tem estado envolvido em escavações arqueológicas significativas em Jerusalém por anos, trabalhando em parceria com a Autoridade de Antiguidades de Israel. Seu trabalho na área do Ofel, aos pés do Monte do Templo, produziu achados extraordinários que confirmam relatos bíblicos e revelam detalhes fascinantes sobre a vida na Jerusalém antiga.

Estas escavações não são apenas exercícios acadêmicos. Elas têm implicações profundas para nossa compreensão da história bíblica, da continuidade cultural judaica, e do significado de Jerusalém como cidade sagrada para múltiplas tradições religiosas.

Lições Espirituais de um Pequeno Medalhão

Há algo profundamente comovente sobre este pequeno medalhão de chumbo. Ele nos fala de fé preservada em tempos difíceis, de identidade mantida contra todas as probabilidades, e de esperança que persiste através de séculos de exílio e opressão.

O judeu que usava este amuleto vivia em uma época quando sua presença em Jerusalém era legalmente proibida, quando o Templo que a menorá simbolizava estava em ruínas há séculos, e quando o futuro de seu povo parecia incerto. No entanto, ele (ou ela) escolheu portar este símbolo abertamente, declarando sua identidade e mantendo viva a memória e a esperança.

Esta é uma lição poderosa sobre resiliência espiritual. A fé verdadeira não depende de circunstâncias favoráveis ou estruturas institucionais intactas. Ela persiste nos corações dos crentes, expressa-se através de símbolos e práticas, e mantém-se firme mesmo quando tudo parece perdido.

Para cristãos que estudam estes achados, há também conexões significativas. Jesus, um judeu que viveu quando o Segundo Templo ainda estava de pé, teria visto menorás no Templo. Ele mesmo declarou ser "a luz do mundo" (João 8:12), uma afirmação que ressoa com o simbolismo da menorá como fonte de luz divina.

O livro do Apocalipse também usa a imagem de sete candelabros (que muitos interpretam como menorás) para representar as sete igrejas (Apocalipse 1:12-20), sugerindo uma continuidade de simbolismo entre a tradição judaica e a cristã. A luz divina que brilhava através da menorá no Templo encontra seu cumprimento em Cristo, que ilumina não apenas Israel, mas todas as nações.

Memória, Identidade e Esperança

O medalhão de menorá de 1.300 anos descoberto em Jerusalém é muito mais que um artefato antigo. É um testemunho de persistência, um símbolo de identidade preservada, e uma evidência tangível de que os laços entre o povo judeu e sua cidade sagrada nunca foram completamente rompidos, mesmo nos períodos mais sombrios da história.

Esta descoberta nos lembra que a história é complexa e que a resiliência humana, especialmente quando enraizada em fé profunda, pode superar até os obstáculos mais formidáveis. O judeu que usou este medalhão não podia prever que, mais de mil anos depois, seu pequeno amuleto seria descoberto e estudado, servindo como testemunho de sua fé para as gerações futuras.

Para todos nós que estudamos a história bíblica e a arqueologia do Oriente Médio antigo, achados como este são lembretes preciosos de que estamos lidando com pessoas reais que viveram vidas reais, enfrentaram desafios reais, e mantiveram fé real em tempos difíceis. Suas histórias, preservadas tanto nos textos sagrados quanto nos artefatos enterrados sob o solo de Jerusalém, continuam a nos inspirar e ensinar hoje.

Que este pequeno medalhão de chumbo nos ensine sobre a importância de preservar nossa identidade espiritual, manter esperança em tempos difíceis, e nunca subestimar o poder de símbolos sagrados para conectar gerações através dos séculos. A luz da menorá, que brilhou no Tabernáculo de Moisés, no Templo de Salomão, e no coração daquele judeu bizantino anônimo, continua a brilhar até hoje, iluminando nosso entendimento do passado e guiando nossos passos no presente.

Créditos e Agradecimentos

Este artigo foi elaborado com base em informações fornecidas pelo Armstrong Institute of Biblical Archaeology (Instituto Armstrong de Arqueologia Bíblica), que tem realizado trabalho excepcional em escavações arqueológicas em Jerusalém. O artigo original pode ser acessado em: https://armstronginstitute.org/1398-another-menorah-medallion-found-in-jerusalem

Agradecemos ao Armstrong Institute, à Autoridade de Antiguidades de Israel, à Fundação Cidade de Davi, e a todos os arqueólogos e trabalhadores envolvidos nas escavações que tornaram esta descoberta possível. Seu trabalho dedicado continua a enriquecer nossa compreensão do mundo bíblico e da história de Jerusalém.

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Perguntas Frequentes

João Andrade
João Andrade
Apaixonado pelas histórias bíblicas e um autodidata nos estudos das civilizações e cultura ocidental. Ele é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e utiliza a tecnologia para o Reino de Deus.

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