Um selo raro e bem conservado
Arqueólogos do projeto Temple Mount Sifting Project (TMSP) encontraram no solo proveniente dos arredores do Monte do Templo em Jerusalém um selo de argila (“bulla”) datado do final do período do Primeiro Templo (final do século VII a.C. a início do VI a.C.).
A inscrição decifrada pelos pesquisadores indica: “L’Yed[a’]yah ben Asayahu” — “Pertencente a Yeda’yah, filho de Asayahu”.
O objeto ainda apresenta marcas de uso: parece ter sido usado para selar um recipiente ou saco, e mantém inclusive impressões de corda ou fios no verso.
Essa descoberta ganha relevância porque associa um artefato material a nomes que aparecem no contexto bíblico, sobretudo durante o reinado de Josias, rei de Judá.
Jerusalém e o governo durante Josias
Para entender o significado do selo, é útil revisar o panorama histórico:
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No reinado de Josias (aproximadamente 640-609 a.C.), o reino de Judá promoveu reformas religiosas importantes, com ênfase em centralizar o culto no templo de Jerusalém e eliminar práticas idólatras.
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Durante essas reformas foi descoberto um “livro da lei” no templo, que motivou um redirecionamento religioso profundo.
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A administração do templo e da capital possuía oficiais de alta patente — pessoas que poderiam usar selos para autenticar documentos, recipientes de armazenamento ou correspondências.
Assim, encontrar um selo com um nome que pode pertencer a um oficial da corte ou do templo naquele período gera bastante interesse entre arqueólogos e historiadores.
O que o selo revela sobre administração e sociedade de Judá
3.1 Função de um selo (bulla)
Na antiguidade, selos eram utilizados para autenticar cartas, recipientes, armazéns ou fechamentos de documentos — mostrando autoridade, propriedade ou controle administrativo.
3.2 Inscrição em hebraico antigo
A inscrição paleo-hebraica “L’Yed[a’]yah ben Asayahu” sugere ligação pessoal: “Para Yeda’yah, filho de Asayahu”. A leitura do verso indica que o selo estava ligado a um recipiente ou bem, possivelmente sob guarda de um oficial.
3.3 Implicações sociais
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A ocorrência desse tipo de artefato mostra que mesmo no período final do Primeiro Templo houveram níveis de burocracia e administração sofisticados em Jerusalém.
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A identificação de nomes que podem aparecer na Bíblia fortalece a conexão entre o registro arqueológico e o registro textual.
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A conservação desse selo indica que ele esteve largamente funcional, e agora oferece um “pegada” material de alguém que viveu há mais de 2.600 anos.
Datação, local da escavação e desafios interpretativos
4.1 Datação
Com base no estilo da escrita, no material e no contexto da escavação, o selo foi datado aproximadamente entre o final do Século VII a.C. e início do VI a.C.
4.2 Local da descoberta
O achado foi feito no Projeto de Peneiramento do Monte do Templo, que analisa solo removido da área do Monte do Templo em Jerusalém, uma zona de enorme sensibilidade e complexidade arqueológica.
4.3 Desafios de interpretação
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Não se pode afirmar com absoluta certeza que o “Asayahu” mencionado no selo seja o mesmo oficial “Asayahu” dos textos bíblicos. Os nomes podem repetir-se.
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O contexto de uso exato do selo (templo vs administração civil) não está totalmente determinado.
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O solo e os materiais da área do Monte do Templo foram movidos, peneirados e misturados em diversos momentos, o que complica a localização estratigráfica precisa.
Por que essa descoberta importa para a arqueologia bíblica
5.1 Conexão entre artefato e nomes bíblicos
Esse selo é uma das raras ocasiões em que um artefato material identifica-se com nomes mencionados no registro bíblico — o que fortalece a historicidade de determinados eventos ou administrações.
5.2 Reflexo de administração do Primeiro Templo
Mostra que a administração de Judá possuía selos, pessoal identificado, recipientes e controle de bens — o que confirma descrições bíblicas de funcionamento governamental em Jerusalém.
5.3 Contexto dos períodos de crise
O final do período do Primeiro Templo foi marcado por reformas religiosas, invasões assírias e, mais tarde, o cerco babilônico. Artefatos desse tipo ajudam a entender como funcionava a sociedade em momentos de transformação.
5.4 Impacto sobre o turismo, museologia e fé
Para o público que acompanha arqueologia bíblica ou turismo religioso, esse tipo de descoberta reforça a conexão física com o passado bíblico, transforma museus, exposições e conteúdo de portais — como o seu.
A descoberta do selo de argila com a inscrição “Para Yeda’yah, filho de Asayahu” em Jerusalém é um achado significativo. Embora não prove definitivamente todas as narrativas bíblicas, ela representa uma forte ponte entre registro material e registro textual. Revela que, no período do Primeiro Templo, Jerusalém tinha uma administração sofisticada, pessoal identificado por nomes hebraicos, e operações que exigiam selagem e autenticação de bens.
Para estudiosos da Bíblia, arqueologia e história antiga, o artefato reforça a base de evidências físicas. Para leitores interessados em fé e história, oferece um elo concreto com o mundo dos personagens bíblicos.