Quem foi o rei Ezequias?
O rei Ezequias governou Judá entre 715 e 686 a.C., sendo reconhecido por sua fidelidade ao Deus de Israel, suas reformas religiosas e sua coragem ao enfrentar o poderoso império da Assíria.
Segundo os relatos bíblicos, ele restaurou o Templo, destruiu altares pagãos e fortaleceu militarmente Jerusalém.
A Inscrição de Siloé: a grande obra hidráulica de Ezequias
Uma das descobertas mais importantes relacionadas ao seu reinado é a famosa Inscrição de Siloé, encontrada dentro do túnel que liga a Fonte de Giom ao tanque de Siloé.
O que a descoberta revela:
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O texto descreve o encontro de duas equipes de escavadores que cavaram a partir de pontos opostos.
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Datas e estilo da escrita confirmam que a obra foi construída durante o reinado de Ezequias.
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A engenharia demonstra grande avanço técnico para sua época.
Esse túnel também confirma o relato de 2 Crônicas 32:30, que menciona a condução das águas para dentro da cidade, como estratégia de defesa contra os assírios.
O Selo Real de Ezequias (Bula de Ezequias)
Em escavações conduzidas próximo ao Monte do Templo, arqueólogos descobriram um selo real autêntico contendo o nome do rei Ezequias.
Descrição da bula:
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Inscrição em paleo-hebraico: “Pertencente a Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá”.
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Símbolos: um sol alado e dois animais, indicando proteção divina e autoridade real.
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Datação: final do século VIII a.C.
A bula é uma das comprovações arqueológicas diretas mais fortes da existência do rei Ezequias.
Registros assírios: o relato de Senaqueribe
Além das descobertas em Israel, inscrições assírias também mencionam Ezequias. A mais famosa é o Prisma de Senaqueribe, atualmente preservado em museus de Londres e Chicago.
Ele relata o cerco à Jerusalém e destaca:
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Ezequias é citado nominalmente.
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Senaqueribe afirma que o "trancou como um pássaro em sua gaiola".
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Confirma a campanha militar descrita em 2 Reis 18–19.
Embora o prisma não mencione a derrota assíria (como ocorre no relato bíblico), confirma que o rei de Judá existiu e que o conflito realmente ocorreu.
Fortificações e ampliação das muralhas de Jerusalém
Escavações revelaram seções das chamadas Muralhas Largas, atribuídas ao período de Ezequias.
Por que isso importa:
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Jerusalém precisou ser reforçada rapidamente antes do ataque assírio.
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Camadas arqueológicas mostram destruição típica da campanha de Senaqueribe.
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Os muros confirmam um grande projeto de defesa urbana — alinhado com o relato de 2 Crônicas 32:5.
Evidências do cerco e destruição de cidades de Judá
Embora Jerusalém tenha sido poupada, várias cidades fortificadas de Judá foram destruídas pelos assírios — e essas ruínas já foram encontradas.
Em Laquis, por exemplo:
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Arqueólogos descobriram rampas assírias, pontas de flechas, restos de queima e inscrições.
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Murais assírios registrando a vitória foram encontrados no palácio de Senaqueribe em Nínive.
Essas evidências reforçam a narrativa bíblica da invasão assíria e do desespero que Judá enfrentou.
O legado de Ezequias confirmado pela arqueologia
Ao reunir o túnel, a inscrição, o selo real, os relatos assírios e as fortificações, a arqueologia oferece um quadro robusto da vida e do governo de Ezequias.
As descobertas mostram que:
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Ele realmente promoveu grandes reformas.
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Ele liderou obras públicas de grande escala.
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Ele enfrentou de fato o cerco assírio.
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Seu reino era organizado, com administração e estrutura militar sólida.
O que antes era apenas narrativa bíblica agora é sustentado por vestígios materiais espalhados por Jerusalém e museus do mundo inteiro.
As descobertas sobre Ezequias representam um dos conjuntos mais impressionantes de evidências históricas relacionadas a um personagem bíblico. Elas confirmam não apenas sua existência, mas também detalhes específicos de seu reinado e de sua luta pela sobrevivência do reino de Judá.
Esse tipo de conteúdo conecta a Bíblia à história real e evidencia o quão rica é a arqueologia do Oriente Médio — um tema essencial para quem deseja aprofundar seu entendimento sobre a Escritura.