Os Dois Maiores Mistérios Arqueológicos da Galileia

Fev 2026
Tempo de estudo | 22 minutos
Atualizado em 18/02/2026
Arqueologia
Os Dois Maiores Mistérios Arqueológicos da Galileia

A Galileia é uma das regiões mais fascinantes do mundo para a arqueologia bíblica. Foi ali que Jesus realizou seu primeiro milagre em Caná da Galileia, caminhou sobre as águas e conduziu boa parte de seu ministério terreno. Porém, essa terra carrega camadas de história que precedem o período bíblico por milhares de anos. Duas descobertas arqueológicas recentes revelam que a Galileia ainda guarda segredos profundos que os cientistas sequer conseguem explicar completamente.

A primeira é Hurvat Cancuza, uma construção ritualística no alto de uma montanha, com mais de 3.000 anos, redescoberta por acaso em 2018. A segunda é uma estrutura colossal submersa nas profundezas do Mar da Galileia, detectada por sonar em 2003, pesando mais de 60.000 toneladas e possivelmente datando de 5.000 anos atrás. Juntas, essas descobertas nos obrigam a repensar o que sabemos sobre os povos que habitaram essa região antes mesmo dos patriarcas bíblicos.

Hurvat Cancuza: As Ruínas do Tesouro Esquecido

Em 2018, os arqueólogos Dr. Raf Leves e Dra. Rona Avissar, da Universidade de Haifa, conduziam pesquisas na região montanhosa da Galileia. Não estavam procurando nada parecido com o que encontraram. Seu objetivo original era buscar evidências arqueológicas de grandes batalhas históricas ocorridas no vale abaixo. Porém, ao investigarem a área, notaram algumas pedras que pareciam diferentes das formações naturais ao redor. Pensando tratar-se de vestígios de fortificações militares, decidiram investigar mais de perto.

O que encontraram os deixou chocados. Não era um local de batalha, mas algo muito mais antigo e enigmático: uma grande construção ritualística datada do Período do Bronze, com pelo menos 3.000 anos de idade, no alto de uma montanha de difícil acesso. Por muito tempo, o local esteve praticamente soterrado, com apenas algumas pedras expostas na superfície, e qualquer pessoa que passasse por ali o confundiria com uma formação natural.

Um Nome nos Mapas Antigos

Ao buscar referências históricas, os arqueólogos encontraram em um mapa antigo uma pequena indicação marcada como "Hurvat Cancuza". Em hebraico, hurvat significa "as ruínas" e cancuza remete a "o tesouro". Portanto, o nome pode ser traduzido como "as ruínas do tesouro", um nome que levanta mais perguntas do que respostas. Que tesouro existia ali? Por que os antigos cartógrafos associaram este local a algo de valor?

A Estrutura e Suas Anomalias

As escavações revelaram uma estrutura quadrada perfeita, medindo 4,7 por 4,7 metros, construída com grandes pedras basálticas, o tipo de rocha vulcânica encontrada naturalmente na região do Golã e da Galileia. Algumas dessas pedras pesam mais de 6 toneladas, e não há nenhum vestígio ou explicação de como foram transportadas e posicionadas no topo da montanha.

Diversas características tornam este local particularmente intrigante para os arqueólogos:

Ausência de entradas: A construção não possui nenhum tipo de porta, passarela ou abertura. Todas as paredes são completas, algo extremamente incomum tanto para construções antigas quanto modernas. Esse detalhe sugere que o acesso ao interior seguia algum tipo de protocolo ritual, possivelmente envolvendo a escalada das paredes, ou que a estrutura não foi projetada para ser acessada da maneira convencional.

A pedra calcária solitária: Entre todas as pedras basálticas escuras que compõem a construção, há uma única pedra calcária, de cor e composição completamente diferentes. Essa pedra não é encontrada naturalmente na área e foi claramente cortada pela mão humana. Alguém se deu ao trabalho imenso de carregar essa pedra específica montanha acima, o que indica que ela possuía significado especial, possivelmente sagrado, para os construtores.

A matsevá — a pedra sagrada: Os arqueólogos identificaram o que parece ser um pilar, ou matsevá em hebraico, uma pedra sacra utilizada nos tempos bíblicos. A matsevá era uma pedra levantada verticalmente como marco de experiências espirituais significativas. Nas Escrituras, encontramos diversas referências a esse tipo de monumento: Jacó ergueu uma matsevá em Betel após seu sonho com a escada celestial (Gênesis 28:18), e Moisés levantou doze pedras representando as tribos de Israel ao pé do Monte Sinai (Êxodo 24:4).

Cinco vasos de cerâmica foram descobertos entre as ruínas e continham mais de 100 tabuletas cuneiformes / Universidade de Freiburg e de Tü

Cerâmica antiga abundante: O piso do local está repleto de fragmentos de cerâmica antiga, prova inequívoca de que pessoas não apenas construíram esse complexo, mas o utilizaram ativamente por algum período. Essa cerâmica ajuda na datação e confirma a atividade humana no local.

A Grande Questão: Adoração a Deus ou Idolatria?

A presença da matsevá levou os arqueólogos a concluir que todo o complexo era provavelmente um local de rituais. Mas a pergunta central permanece sem resposta definitiva: que tipo de rituais eram realizados ali? Para quem eram dedicados?

Existem duas possibilidades principais. A primeira é que se tratava de um local de adoração monoteísta, um "lugar alto" (bamá) dedicado ao Deus de Israel, semelhante aos que aparecem frequentemente no Antigo Testamento antes da centralização do culto em Jerusalém. A Bíblia registra que, antes da construção do Templo de Salomão, os israelitas adoravam em "lugares altos" por toda a terra de Israel (1 Reis 3:2). Samuel, por exemplo, oferecia sacrifícios em lugares altos (1 Samuel 9:12-14).

A segunda possibilidade é que o local servia a rituais pagãos. Os pesquisadores apontam semelhanças com outros sítios de culto cananeu, como os pilares de Tel Gezer, onde os cananeus praticavam sacrifícios, incluindo o terrível costume de sacrificar crianças. Esse tipo de prática idolátrica é fortemente condenado nas Escrituras, e os profetas israelitas lutaram constantemente contra a influência dos cultos pagãos na terra de Israel. O profeta Elias enfrentou os profetas de Baal justamente na região da Galileia, no Monte Carmelo, não muito distante de Hurvat Cancuza.

A localização estratégica do sítio, a apenas 15 km de Caná da Galileia e 6 km do Mar da Galileia, com uma vista panorâmica impressionante que abrange vários pontos bíblicos, reforça a ideia de que foi escolhido deliberadamente por seu significado espiritual. Nos tempos antigos, a elevação e a visibilidade eram frequentemente associadas à proximidade com o divino.

A Estrutura Colossal Submersa no Mar da Galileia

Se Hurvat Cancuza surpreende por estar no ponto mais alto da região, o segundo mistério da Galileia se encontra no extremo oposto: nas profundezas do Mar da Galileia, também conhecido em hebraico como Kineret.

O Mar da Galileia: Muito Mais do que um Lago

Apesar de ser universalmente chamado de "mar", o Kineret é, na realidade, um lago de água doce. Situado a 211 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo, possui 21 km de extensão, 13 km de largura e atinge 43 metros de profundidade em seu ponto máximo. Desde os tempos antigos, civilizações habitaram suas margens, e o lago ocupa um lugar central na história bíblica.

Foi nessas águas que Jesus caminhou (Mateus 14:25-26), aqui aconteceu a pesca milagrosa (Lucas 5:4-7), e boa parte do ministério de Cristo se desenrolou nas cidades costeiras ao norte do lago, incluindo Cafarnaum, Magdala e Betsaida. O milagre da cura no tanque de Betesda e diversos outros sinais realizados por Jesus aconteceram na região da Galileia, consolidando este como um dos territórios mais importantes da narrativa do Novo Testamento.

A Descoberta de 2003

Em 2003, pesquisadores realizavam um levantamento rotineiro com sonar para mapear o fundo do lago, um procedimento padrão do governo de Israel. Quando o equipamento passou pela área sudoeste do Kineret, os especialistas detectaram algo completamente inesperado: uma anomalia massiva no leito do lago.

As imagens de sonar revelaram uma estrutura gigantesca no fundo das águas. Mergulhadores foram enviados para uma inspeção inicial e confirmaram aquilo que parecia impossível: havia uma construção monumental submersa, feita inteiramente de pedra basáltica.

Os números são impressionantes:

70 metros de diâmetro na base, mais que o dobro do diâmetro externo de Stonehenge, na Inglaterra. 10 metros de altura, equivalente a um edifício de mais de três andares. Aproximadamente 60.000 toneladas de peso, comparável ao peso de um navio de guerra moderno totalmente carregado. A estrutura tem formato cônico, como um imenso cairn (monte de pedras empilhadas), construída com blocos de basalto de 1 a 2 metros de comprimento.

O Que os Cientistas Sabem

O arqueólogo Yitzhak Paz, da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade Ben-Gurion do Negev, liderou os estudos sobre a estrutura submersa. Segundo suas pesquisas, publicadas no International Journal of Nautical Archaeology, algumas conclusões podem ser afirmadas com segurança.

Primeiro, a estrutura é definitivamente feita pelo homem. Conforme o estudo registra, "a forma e a composição da estrutura submersa não se assemelha a nenhuma formação natural", descartando a possibilidade de se tratar de um fenômeno geológico. As pedras que compõem o monumento são significativamente diferentes das encontradas naturalmente no leito do lago.

Segundo, quanto à datação, Paz estima que a estrutura tem, no mínimo, 4.000 anos, mas considera mais provável que pertença ao terceiro milênio antes de Cristo, o que a colocaria na faixa de 5.000 anos. "A possibilidade mais lógica é que pertença ao terceiro milênio a.C., porque há outros fenômenos megalíticos desse período encontrados nas proximidades", explicou o arqueólogo em entrevista à Live Science.

Terceiro, o esforço necessário para construí-la revela uma sociedade sofisticada. Segundo os pesquisadores, "o esforço investido em tal empreendimento é indicativo de uma sociedade complexa e bem organizada, com habilidades de planejamento e capacidade econômica". Não se trata de obra de um pequeno grupo tribal, mas de uma civilização com liderança, logística e recursos consideráveis.

Construída em Terra ou Debaixo d'Água?

Uma das questões mais debatidas entre os especialistas é se a estrutura foi originalmente construída em terra firme, sendo posteriormente coberta pelo lago conforme o nível da água subiu, ou se foi deliberadamente edificada como uma construção subaquática.

A maioria dos pesquisadores inclina-se para a primeira hipótese. Do ponto de vista geofísico, como observou o professor Shmuel Marco, da Universidade de Tel Aviv, a existência da estrutura submersa indica que o nível da água era significativamente mais baixo no passado. A região do Mar da Galileia é geologicamente ativa, e os níveis do lago flutuaram consideravelmente ao longo dos milênios.

No entanto, há especialistas que consideram a possibilidade de que a construção tenha sido feita originalmente dentro da água, usando alguma técnica antiga desconhecida. Se isso for verdade, estaríamos diante de uma habilidade de engenharia que desafia completamente nossa compreensão das capacidades tecnológicas dos povos antigos.

A Conexão com Gilgal Refaim: O Círculo dos Gigantes

Quando a estrutura submersa foi descoberta em 2003, muitos arqueólogos imediatamente fizeram uma associação com outro sítio megalítico localizado a apenas 30 km dali, nas colinas do Golã: o Gilgal Refaim, o "Círculo dos Gigantes".

O Gilgal Refaim, também conhecido pelo nome árabe Rujm el-Hiri, é uma das estruturas pré-históricas mais enigmáticas de todo o Oriente Médio. Composto por mais de 42.000 pedras de basalto, pesando coletivamente mais de 40.000 toneladas, o monumento consiste em círculos concêntricos de pedra, com o círculo externo atingindo 160 metros de diâmetro. No centro, há uma construção de mais de 4,5 metros de altura contendo um corredor que leva a uma câmara sepulcral. Curiosamente, esse sepulcro foi encontrado vazio.

O nome hebraico Gilgal Refaim significa literalmente "Roda dos Refains" ou "Círculo dos Gigantes", uma referência direta à raça de gigantes mencionada nas Escrituras. A Bíblia relata que os refains habitavam a região de Basã (atual Golã) antes da chegada dos israelitas. Em Deuteronômio 3:11, lemos que "Ogue, rei de Basã, era o último remanescente dos refains", e seu leito de ferro media nove côvados de comprimento (aproximadamente 4 metros), indicando uma estatura excepcional.

O mistério dos gigantes de Golã ganha contornos ainda mais intrigantes quando consideramos que tanto o Gilgal Refaim quanto a estrutura submersa datam aproximadamente do mesmo período (entre 4.700 e 5.000 anos) e estão relativamente próximos um do outro. Se uma civilização foi capaz de construir um monumento circular de 160 metros de diâmetro usando centenas de toneladas de pedra em terra firme, talvez essa mesma civilização também possuísse a tecnologia para erguer uma estrutura semelhante, ainda que de maneira diferente, dentro das águas.

Um estudo publicado em 2024 no periódico Remote Sensing, conduzido por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv e da Universidade Ben-Gurion do Negev, revelou que movimentos tectônicos ao longo de 150 milhões de anos alteraram significativamente as paredes e entradas do Gilgal Refaim, girando o monumento no sentido anti-horário e deslocando-o em dezenas de metros. Isso invalidou a teoria anterior de que o sítio funcionava como observatório astronômico, abrindo novas questões sobre sua real finalidade.

Contexto Bíblico: Gigantes, Megalitos e os Povos Antes de Israel

Esses dois mistérios arqueológicos na Galileia nos remetem a um período fascinante e pouco compreendido da história bíblica: a era anterior à chegada dos patriarcas. A Bíblia registra que, antes de Abraão receber a promessa da terra, Canaã era habitada por diversos povos com civilizações estabelecidas, incluindo os cananeus, hititas, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus (Gênesis 15:18-21).

Além desses povos, as Escrituras mencionam raças de estatura excepcional que habitavam regiões específicas. Os refains ocupavam a região de Basã e a Transjordânia (Deuteronômio 2:20), enquanto os anaquins viviam na região montanhosa de Hebrom (Números 13:33). Esses relatos bíblicos, frequentemente tratados como meras lendas, ganham nova dimensão quando confrontados com evidências arqueológicas de construções megalíticas que exigiram esforço sobre-humano para serem erguidas.

Quando Josué conduziu a conquista de Canaã, ele enfrentou Ogue, rei de Basã, descrito como o último dos refains (Josué 12:4). A região de Basã, precisamente onde se encontra o Gilgal Refaim, era considerada terra de gigantes. É possível que esses monumentos megalíticos sejam vestígios materiais dos povos descritos nas Escrituras.

As escavações em Jerusalém e em toda a Terra Santa continuam trazendo à luz evidências que confirmam, esclarecem ou complementam a narrativa bíblica. No caso da Galileia, os achados de Hurvat Cancuza e da estrutura submersa adicionam camadas de complexidade à nossa compreensão dos povos antigos e suas práticas religiosas.

Pedras Sagradas na Bíblia: O Significado das Matsevot

A descoberta de uma matsevá em Hurvat Cancuza merece atenção especial, pois esse tipo de pilar de pedra ocupa um papel significativo na narrativa bíblica. A palavra hebraica matsevá (plural: matsevot) significa "algo levantado" ou "posto de pé" e designa uma pedra erguida verticalmente como marco memorial ou objeto de culto.

No contexto positivo, as matsevot aparecem como memoriais de encontros com Deus. Jacó ergueu uma pedra em Betel após sonhar com a escada celestial e declarou: "Esta pedra que levantei como coluna será Casa de Deus" (Gênesis 28:22). Moisés ergueu doze colunas de pedra ao pé do Monte Sinai, representando as doze tribos de Israel (Êxodo 24:4). Após a travessia do Jordão, Josué ordenou que doze pedras fossem erguidas como memorial perpétuo (Josué 4:1-9).

Porém, a matsevá também aparece em contexto negativo, associada à idolatria cananeia. A Lei mosaica ordenava explicitamente: "Não levantarás matsevá, a qual o Senhor teu Deus odeia" (Deuteronômio 16:22), referindo-se ao uso pagão dessas pedras nos cultos a Baal e Aserá. O rei Ezequias é elogiado por ter destruído as matsevot pagãs durante sua reforma religiosa (2 Reis 18:4).

A matsevá encontrada em Hurvat Cancuza, portanto, tanto pode representar um legítimo memorial de adoração ao Deus verdadeiro quanto um objeto de culto pagão. Sem inscrições ou outros artefatos que indiquem claramente a divindade adorada, a pergunta permanece em aberto.

Construções Megalíticas e o Mundo Pré-Diluviano

Outro aspecto fascinante dessas descobertas é a antiguidade extrema das construções. Com datações que podem recuar a 5.000 anos ou mais, estamos falando de um período que, na cronologia bíblica, se aproxima ou mesmo antecede o grande Dilúvio descrito em Gênesis. Noé e sua geração viviam em um mundo que, segundo as Escrituras, possuía conhecimentos e habilidades que foram perdidos após a catástrofe global.

A Bíblia registra que civilizações pré-diluvianas eram capazes de feitos notáveis. Gênesis 4:22 menciona Tubal-Caim como "artífice de toda obra de cobre e de ferro", indicando conhecimento metalúrgico avançado. Ninrode, descrito como "poderoso caçador diante do Senhor" (Gênesis 10:9), foi responsável pela construção de grandes cidades, incluindo Babel e Nínive, pouco tempo após o Dilúvio.

A civilização dos sumérios, considerada uma das mais antigas do mundo, surgiu precisamente nessa mesma faixa cronológica e demonstrou capacidades arquitetônicas surpreendentes. É possível que a estrutura submersa no Mar da Galileia e o Gilgal Refaim sejam obras de sociedades contemporâneas aos sumérios, ou mesmo anteriores a eles, que possuíam conhecimentos de engenharia que ainda não compreendemos plenamente.

O Que Falta Descobrir

Apesar de mais de 20 anos desde a descoberta da estrutura submersa e quase uma década desde a redescoberta de Hurvat Cancuza, ambos os sítios permanecem largamente inexplorados. Nenhuma escavação arqueológica completa foi realizada na estrutura subaquática. Algumas visitas de mergulhadores foram conduzidas, mas o que verdadeiramente precisa acontecer, segundo os especialistas, é a retirada de material orgânico de dentro da construção para datação precisa por carbono-14.

O arqueólogo Yitzhak Paz expressou esperança de que uma expedição arqueológica subaquática seja organizada em breve, observando que a Autoridade de Antiguidades de Israel possui capacidade técnica para realizá-la. Uma escavação completa poderia revelar artefatos que definitivamente determinariam a idade, a função e a cultura responsável pela construção.

Quanto a Hurvat Cancuza, as pesquisas iniciais levantaram mais perguntas do que respostas. A identidade dos construtores, a natureza exata dos rituais praticados, o motivo do nome "tesouro" associado ao local e a função da pedra calcária solitária em meio às basálticas são questões que aguardam investigação mais aprofundada.

A Galileia Como Terra de Mistérios e Revelações

Não é coincidência que a Galileia, palco de tantos mistérios arqueológicos pré-históricos, tenha sido também o cenário escolhido por Deus para algumas das maiores revelações espirituais da história. Jesus escolheu a Galileia como base de seu ministério. Foi ali que chamou seus primeiros discípulos (Mateus 4:18-22), realizou a maioria de seus milagres e pronunciou o Sermão da Montanha. Os 12 apóstolos eram, em sua maioria, galileus.

O profeta Isaías havia profetizado: "O povo que andava em trevas viu uma grande luz; os que moravam na terra da sombra da morte, sobre eles resplandeceu a luz. [...] Na Galileia dos gentios" (Isaías 9:1-2). Essa profecia, cumprida em Jesus, revela que a Galileia sempre ocupou um lugar especial no plano divino, uma região onde o natural e o sobrenatural se encontram de maneiras singulares.

As descobertas arqueológicas de Hurvat Cancuza e da estrutura submersa adicionam mais uma camada a essa realidade. São testemunhos silenciosos de que, muito antes de Jesus caminhar sobre essas águas, a humanidade já buscava o divino nessa terra, erguendo monumentos impressionantes em montanhas e, possivelmente, até dentro das águas.

Conclusão

Os dois maiores mistérios arqueológicos da Galileia permanecem como desafios para a ciência e convites à reflexão para os que estudam a história bíblica. Hurvat Cancuza, com sua matsevá sagrada e sua construção sem entradas, nos recorda que os povos antigos possuíam práticas religiosas sofisticadas e uma busca pelo divino que transcendia barreiras geográficas. A estrutura colossal submersa no Mar da Galileia, com suas 60.000 toneladas de pedra, nos confronta com a realidade de que civilizações antigas eram capazes de feitos de engenharia que desafiam nossa compreensão atual.

Juntos, esses sítios nos ensinam uma lição fundamental para o estudo bíblico: a terra de Israel guarda segredos profundos que continuam sendo revelados. Cada escavação, cada levantamento de sonar, cada investigação subaquática tem o potencial de trazer à luz evidências que enriquecem nossa compreensão das Escrituras e dos povos que habitaram a Terra Santa. A Galileia, que foi palco do ministério de Jesus e do início da expansão do Evangelho, carrega em seu solo e em suas águas a memória de milhares de anos de história humana, de busca pelo sagrado e de construções que testemunham a grandeza e o mistério da civilização antiga.

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Perguntas Frequentes

João Andrade
João Andrade
Apaixonado pelas histórias bíblicas e um autodidata nos estudos das civilizações e cultura ocidental. Ele é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e utiliza a tecnologia para o Reino de Deus.

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